Só em 2019

Corrupção1 Comment

Ontem quando eu fui buscar as crianças na escola eu conversei com eles sobre o Impeachment da Presidente Dilma. A ideia era dar uma explicação para eles sobre o cenário do país e como nós precisamos continuar com o foco na economia em mente.

Enquanto eu subia a minha rua, contei que o Senado havia cassado o seu mandato e expliquei da seguinte forma para eles:

A Dilma fez algumas coisas erradas e foi afastada. Então, quem assume a presidência agora é o vice-presidente, Michel temer. Porém, ele também fez coisas erradas e está sendo investigado, e se ele também sair, quem assume é outro presidente, o da Câmara dos Deputados, Eduardo. Só que ele também fez coisas erradas para o nosso país e está sendo investigado e se ele sair, quem assume é outro presidente, do Senado Federal, que acreditem: também fez coisas ruins e está sendo investigado.

Nisso, Analice me interrompeu e disse:

Meu Deus, o que está acontecendo com essas pessoas? Todo mundo fazendo coisas erradas!

E então o Nicolas emenda:

E quando é que o país vai melhorar pai?

Eu respondi dizendo que tudo era muito incerto ainda, que várias coisas podem acontecer e que provavelmente só depois das novas eleições presidenciais, uma vez que tudo estava tão errado e que a saída da Dilma não era suficiente para colocar o país no rumo novamente, mas que provavelmente só depois das eleições, em 2019.

***

Contei essa história toda para fazer uma breve reflexão com vocês. A Democracia é um estado direito do cidadão e temos que lutar por ela e tentar transformá-la na forma simples que os meus filhos vêem. Nossos representantes não podem “fazer coisas erradas“. Mas para isso, é preciso desapegar das pequenas corrupções do dia-a-dia. Dizer que somente os políticos são corruptos é o mesmo que tapar o Sol com peneira. A bagunça e o caos dos últimos meses são reflexo de como o brasileiro lida com política, como algo obrigatório, distante da sua realidade, quando é justamente o contrário. O dia que entendermos isso, escolheremos melhor nossos representantes e situações como essa que estamos vivendo se tronem exceção, e não regra.

Até 2019 chegar, muita água vai rolar no cenário político. Então participe, questione, debata. Mas faça isso de forma equilibrada e isenta. Só assim o país terá ordem e progresso novamente.

One thought on “Só em 2019

  1. Oi, amigo. Acho que há um problema maior acontecendo com o entendimento que as pessoas possuem sobre a condição humana. Para me situar antes de continuar, votei na linhagem do PT e antes em FHC, precedido por Brizola, em 1990. Pelo que me lembro, TODOS possuem uma contabilidade de erros considerável em seus currículos. E esses erros também fazem parte da nossa vida, por havermos concedido a eles nosso voto de confiança.

    Mas não seria hipocrisia cobrar conduta ilibada e sem erros se nós mesmos vivemos no erro? A começar por nossas escolhas, como vc mesmo disse, já erramos. E se os eleitos fossem outros, outros seriam seus erros. Porque o erro faz parte da condição humana.

    Fernando Pessoa, em Poema em linha reta, resume isso com ironia perfeita:

    “Nunca conheci quem tivesse levado porrada
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo
    (…)
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    (…)
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó príncipes, meus irmãos,

    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?

    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

    Poderão as mulheres não os terem amado,
    Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
    E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
    Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
    Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
    Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”

    (https://www.youtube.com/watch?v=OVYqz8qvmKg

    Quando escolhemos errado, não estamos exercendo um direito, mas praticando o que a nossa natureza nos leva a fazer dia após dia.

    Por isso, quando reclamamos dos erros dos outros, estamos nos colocando numa posição delicada, a de semideuses, de super-homens que jamais seremos.

    Portanto, no caso da Dilma, ela está caindo proque errou além da medida, e está caindo com justiça, de acordo com a lei. Mas a agonia começa no dia seguinte, porque as coisas devem continuar na mesma, porque confiança não se conquista de uma hora para outra.

    O Brasil está carante de confiança em si mesmo. Mas isso não é um fato isolado, porque na história heróis e vilões se constroem no ritmo de circunstâncias e conveniências. A Alemanha, por exemplo, que ontem foi vilã, hoje é um país progressista.

    Por isso, o Brasil e o nosso povo pode superar os erros crassos que tem cometido e criar uma margem de tolerância que o proteja dos excessos que nos têm assolado.

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